Conflito no Oriente Médio freia mercado brasileiro do boi gordo
Tensões na região elevam incertezas dos frigoríficos exportadores, deixando os compradores mais temerosos em pagar mais pela arroba, informam as consultorias do setor
O agravamento do conflito no Oriente Médio reduziu o ritmo dos negócios no mercado brasileiro do boi gordo, embora os fundamentos de alta permaneçam intactos, segundo as consultorias Agrifatto e Scot, que acompanham diariamente as principais praças brasileiras.
“O maior risco (em relação à guerra conduzida pelos EUA e Israel) não é a interrupção dos embarques de proteína animal, mas a possível alta dos custos logísticos e o alongamento dos prazos de transporte, que implicam maior despesa operacional”, observa a Agrifatto.
Com isso, embora ainda sustentado por fundamentos internos, o setor pecuário brasileiro segue atento a eventuais impactos logísticos e de custos nas exportações, acrescenta a consultoria.
“Essa incerteza provocou forte queda dos contratos futuros na B3 no início desta semana e levou parte dos frigoríficos a reduzir temporariamente as compras, à espera de maior previsibilidade no mercado externo e no câmbio”, ressalta a Agrifatto.
Segundo a Scot Consultoria, os compradores de boiadas gordas estão “temerosos em pagar mais pela arroba, já que a região do Oriente Médio, além de grande consumidora, também atua como uma espécie de entreposto no comércio global de carne bovina”.
“Em decorrência desse quadro geopolítico, parte da indústria optou por sair das compras, adotando uma postura de espera prudencial até que se delineiem com maior clareza os desdobramentos do conflito e seus reflexos sobre a dinâmica do comércio internacional da carne bovina”, observa a Scot.
No entanto, os preços do boi gordo seguem sustentados pela oferta restrita de animais terminados e por escalas de abate bastante curtas, limitadas a 5 dias, na média nacional, de acordo com levantamento da Agrifatto.

“O suporte aos preços persiste apesar das tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel”, diz a consultoria. Nesse contexto, os preços dos animais terminados fecharam a quarta-feira (4/5) com estabilidade nas principais praças do País.
Pelos números da Agrifatto, o boi paulista segue valendo R$ 355/@, enquanto o valor médio em outras 16 regiões monitoradas pela consultoria se mantém em R$ 333,20/@.
Os dados da Scot apurados em São Paulo apontam para um boi gordo sem padrão exportação de R$ 352/@ e um “boi-China de R$ 355/@ (valores brutos, no prazo).
Quedas no mercado futuro
No mercado futuro, os contratos do boi gordo encerraram o pregão de terça-feira (3/3) em queda pela segunda vez consecutiva. O papel com vencimento em março/26 fechou cotado a R$ 343,50/@, com desvalorização diária de 1,74%.








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