Por que a América do Sul é o motor de crescimento da Emmi?
A América do Sul pode ser um mercado difícil para laticínios premium, mas a Emmi está apostando em inovação, sustentabilidade e expansão seletiva para destravar o crescimento.
Não é segredo que o queijo suíço enfrenta dificuldades na América do Sul. Os consumidores desses mercados são sensíveis a preço, o ambiente econômico é inflacionário e os efeitos cambiais inevitavelmente pesam nos balanços. Isso colocou a participação de mercado do queijo suíço na região sob pressão. O desafio está principalmente relacionado ao preço – de acordo com a Switzerland Global Enterprise, o queijo suíço pode custar de duas a três vezes mais do que outros queijos europeus. Como resultado, a categoria se associa mais aos consumidores de alta renda do que ao público em geral, sendo a origem e a percepção de qualidade premium fatores-chave para converter vendas.
Mas onde existe desafio, existe oportunidade. O Brasil é o maior consumidor de queijo da região e o quarto maior do mundo; o México é o segundo maior em volume, e o Chile apresenta alto consumo per capita. E não é apenas queijo que as empresas suíças de laticínios levam para a região: de iogurtes e bebidas lácteas ricas em proteína a pós e concentrados para foodservice, há bastante espaço para expansão em categorias, formatos e canais.
Como a Emmi está construindo escala no Brasil, Chile e México
Para o Grupo Emmi, a região das Américas é extremamente importante para o crescimento de longo prazo. No ano fiscal de 2025, 36,4% das vendas do grupo (equivalente a CHF 1,727 bilhão/US$ 2,21 bilhões) foram geradas pelo negócio das Américas, que também alcançou crescimento orgânico de 6,4% – acima da projeção do grupo. A expectativa é que a região cresça organicamente entre 4% e 6% também neste ano.
Mas a estratégia de negócios da Emmi na América do Norte e na América do Sul tem papéis distintos. A América do Norte é onde estão a escalabilidade, a premiumização e a geração de valor; enquanto a América do Sul é onde a oportunidade futura pode ser criada moldando categorias inteiras por meio da inovação.
Em 2025, Brasil, Chile e México foram mercados de crescimento dinâmico. O Brasil foi um grande contribuidor para o crescimento orgânico em queijos frescos (+20,9%) e pós e concentrados (+31,1%) no período, além de ser um mercado cada vez mais importante para inovação em saúde e bem-estar.
Simone Burgener, gerente de comunicação da Emmi, disse: “O Brasil não é apenas o maior mercado de laticínios da América Latina, mas também está entre os cinco maiores produtores de leite do mundo. Aqui, a Emmi possui uma participação majoritária de 70% na Laticínios Porto Alegre (LPA), uma das principais empresas de laticínios do estado de Minas Gerais – a região mais importante de produção de leite do país. Em 2024, a Emmi fortaleceu sua posição no Brasil por meio da aquisição da Verde Campo, uma marca focada em produtos lácteos funcionais de alta qualidade à base de proteína premium do soro do leite. A combinação da liderança regional da LPA com o portfólio orientado à inovação da Verde Campo fornece uma base sólida para crescimento de longo prazo em um mercado geograficamente vasto.”
O Chile é um dos mercados mais avançados da Emmi na América Latina, com desempenho impulsionado pela Quillayes Surlat e um portfólio que representa uma linha completa de queijos, lácteos sem lactose, lácteos ricos em proteína e produtos lácteos frescos.
E no México, a empresa suíça opera por meio do seu negócio comercial, Mexideli, especializado na importação e distribuição de produtos premium de marcas reconhecidas, incluindo queijos, frios e sobremesas: atendendo principalmente os segmentos gourmet do varejo e foodservice.
É um modelo de negócios bem diversificado e posicionado para crescimento futuro. Manter participações majoritárias na LPA e na Verde Campo, no Brasil, é crucial para garantir impulso nos segmentos de laticínios saudáveis, por exemplo. Burgener disse: “A Verde Campo acrescenta uma marca premium já estabelecida, focada em produtos lácteos funcionais, atendendo às necessidades de um segmento consumidor voltado para estilo de vida saudável e ampliando o alcance nacional no Brasil. Sua proximidade com a LPA em Minas Gerais cria sinergias operacionais, enquanto ambas as empresas continuam operando de forma independente. Essa configuração permite à Emmi ampliar seu portfólio e acelerar o crescimento em um mercado estrategicamente importante.”
E no Chile, a fusão entre Surlat e Quillayes há seis anos trouxe estabilidade, além de oportunidade, com a Quillayes Surlat mantendo posições de mercado e fortalecendo sua presença em categorias selecionadas. Isso foi alcançado em grande parte por meio da inovação em categorias de nicho e expansão para múltiplos canais de distribuição, incluindo varejo tradicional e regional, como afirmou Burgener. “A economia estável do Chile e seu moderno setor agrícola continuam oferecendo uma base sólida para maior potencial de crescimento no mercado de laticínios”, acrescentou.
Quanto ao México, uma das principais oportunidades está na expansão em categorias de alto potencial, como carnes frias e, especialmente, sobremesas. “Por meio da Mexideli e da Comalca, a Emmi está bem posicionada para atender essa demanda oferecendo produtos de marca de alta qualidade e fortalecendo sua presença tanto no varejo gourmet quanto nos canais de foodservice. O foco contínuo em excelência de produto e otimização direcionada de portfólio apoiará mais crescimento neste importante mercado”, afirmou a porta-voz.
Sustentabilidade e inovação moldando o crescimento dos laticínios na América do Sul
Além disso, a América Latina também é crucial para o avanço das práticas de sustentabilidade da Emmi nas fazendas. A empresa está reduzindo emissões no nível das propriedades rurais, expandindo certificações de bem-estar animal (principalmente no Chile), melhorando a gestão da água e testando modelos de produção de leite resilientes ao clima no Brasil e no Chile.
“A Quillayes Surlat obtém 94% do volume de leite certificado com o selo de bem-estar animal ‘Bienestar Animal’”, disse Burgener. “Essa estratégia de abastecimento é um próximo passo e um compromisso para tornar os laticínios sustentáveis o padrão.” Mas quando se trata de uma única grande tendência moldando a demanda na região, origem, proteína, saúde e conveniência se destacam. “No Brasil, Chile e México, observamos uma demanda crescente por produtos de alta qualidade e voltados para saúde, que reflitam tanto tradições locais quanto práticas responsáveis de produção”, disse Burgener. “Os consumidores também estão buscando cada vez mais itens produzidos de forma sustentável, de origem local e alinhados aos estilos de vida modernos. Em resposta, estamos focando em inovação em áreas como formatos individuais e prontos para consumo, opções sem lactose e com baixo teor de açúcar, além de produtos enriquecidos com proteína. Esses desenvolvimentos são particularmente relevantes nos segmentos de laticínios e cafés prontos para beber, nos quais conveniência, funcionalidade e sabor são fatores-chave na escolha do consumidor.”
Quanto aos queijos, a Emmi é a principal exportadora de queijo suíço e fondue: e, como mencionado anteriormente, esses produtos são premium, e não itens do dia a dia. “Esses produtos estão posicionados no segmento premium, com forte ênfase na origem suíça, qualidade e tradição”, disse Burgener. “Eles são direcionados principalmente a consumidores urbanos e exigentes em qualidade, sendo utilizados em ocasiões especiais ou em ambientes gourmet.” Enquanto os queijos locais dominam o consumo cotidiano, os queijos suíços e europeus importados desempenham um papel complementar, oferecendo valor agregado por meio de autenticidade, qualidade e tradição artesanal, acrescentou.
E assim, o mercado latino-americano de laticínios oferece potencial de longo prazo, especialmente em torno de produtos sustentáveis e premium: mas a volatilidade econômica é real e exige investimento disciplinado e inovação. “A Emmi está lidando com essa dinâmica focando em conceitos de valor agregado, fortalecendo parcerias locais e continuando a investir em inovação de produtos e resiliência operacional em seus negócios regionais”, concluiu Burgener.
As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.








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