Preços do trigo perdem força, mas seguem altos
Outro fator de sustentação vem das exportações americanas no acumulado da temporada
O mercado de trigo segue marcado por volatilidade no cenário internacional e por preços ainda elevados no Brasil, em meio à combinação de riscos climáticos, ajustes técnicos nas bolsas e mudanças nas expectativas de oferta global. Segundo análise semanal da TF Agroeconômica, o movimento ainda é sustentado por fatores altistas importantes, embora Chicago tenha mostrado realização de lucros e retorno das cotações ao canal lateral.
Nos Estados Unidos, o principal ponto de atenção continua sendo a seca nas regiões produtoras de trigo de inverno. O USDA elevou para 70% a parcela da área sob algum grau de seca, ante 22% no mesmo período do ano passado. No Kansas, principal estado produtor, a seca moderada atinge 59,55%, a severa chega a 40,18% e a extrema aparece em 5,84% da área. A previsão de chuvas mínimas nos próximos sete dias, justamente antes do início da colheita, mantém a preocupação com produtividade e qualidade.
Outro fator de sustentação vem das exportações americanas no acumulado da temporada. Os Estados Unidos já venderam 24,76 milhões de toneladas, acima das 24,49 milhões projetadas pelo USDA para todo o ciclo, o que pode levar a ajustes nas estimativas de exportação e estoques finais. Também pesa no radar o risco de um possível Super El Niño até o fim de 2026, apontado pelo modelo europeu ECMWF, cenário que já começa a ser considerado como prêmio climático futuro.
A demanda internacional segue ativa, com compra da Argélia entre 810 mil e 1 milhão de toneladas em licitação. Ao mesmo tempo, a área de trigo na Austrália pode recuar 13%, diante da migração de produtores para canola e cevada.

Entre os fatores de baixa, o mercado perdeu força após realização de lucros por fundos, enquanto as vendas semanais americanas ficaram abaixo do esperado, em 78,8 mil toneladas. O trigo de primavera nos EUA aparece em melhores condições, e os estoques canadenses subiram 12%, para 19,46 milhões de toneladas.
No Brasil, os preços seguem firmes, mas com menor força nas últimas semanas. No Paraná, o indicador Cepea mostra alta nos últimos 60 dias, com desaceleração recente. A tendência é de manutenção de preços elevados, porém com movimento mais lateral.








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