Preços da soja têm menor abril em seis anos

Apesar da expectativa de recuperação, o mercado ainda encontra dificuldades

Preços da soja têm menor abril em seis anos
Ilustrativa

Os preços da soja no mercado físico brasileiro atravessam um momento de forte pressão, em um período considerado sensível para a comercialização da safra. Segundo avaliação da Veeries, as cotações registradas em abril são as mais baixas para o mês nos últimos seis anos, ampliando o desafio para produtores que precisam equilibrar fluxo de caixa e compromissos financeiros.

O cenário ganha peso porque uma parcela relevante do custeio agrícola costuma vencer no fim de abril, no chamado “30/04”. Com isso, aumenta a necessidade de venda da produção justamente em um momento de preços enfraquecidos, o que reduz a margem de negociação do produtor e reforça a cautela nas decisões de comercialização.

Apesar da expectativa de recuperação, o mercado ainda encontra dificuldades para sustentar uma reação mais consistente. A disponibilidade elevada de soja no Brasil mantém pressão sobre os preços internos e limita movimentos de alta no curto prazo. Nesse contexto, muitos produtores seguem acompanhando o mercado em busca de oportunidades melhores, mas as ofertas disponíveis continuam distantes dos níveis desejados.

No cenário internacional, o óleo de soja chegou a oferecer algum suporte às cotações. Esse efeito, porém, foi em grande parte neutralizado no Brasil pelo comportamento do câmbio. A valorização do real reduziu a competitividade da soja brasileira e limitou repasses mais firmes das altas externas para o mercado doméstico.

Com a oferta abundante no país influenciando o ritmo de comercialização, a formação de preços passa a depender cada vez mais de fatores externos. Entre eles, a definição da safra americana nos próximos meses tende a ganhar relevância para indicar se haverá espaço para recuperação ou se a pressão continuará predominando no mercado físico brasileiro.