Preço do arroz expõe desequilíbrio, avalia analista

Compras externas perdem força e indústria enfrenta dificuldade para repassar custos

Preço do arroz expõe desequilíbrio, avalia analista
ilustrativa

O mercado brasileiro de arroz reúne resistência dos produtores à queda de preços e dificuldade da indústria para repassar custos ao produto beneficiado. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, a redução das compras externas expõe um problema de equilíbrio entre os elos do setor.

O comunicado do Cepea de quarta-feira (28) indica que parte das indústrias está abastecida e reduziu aquisições. A demanda para exportação também perdeu força após semanas de compras expressivas, movimento reforçado pela queda do dólar. Poucos dias antes, havia operações próximas de R$ 90 por saca CIF Rio Grande.

Na avaliação do analista, capacidade ociosa, custos financeiros elevados, concorrência e dificuldade de repassar aumentos ao varejo pressionam as margens industriais. No campo, a implantação da nova safra envolve riscos climáticos e custos altos, enquanto os produtores resistem a vender abaixo de suas expectativas.

Para Cardoso, a dificuldade vai além do preço da saca e envolve o valor que a cadeia consegue obter pela venda do arroz beneficiado. Esse cenário limita os negócios, mas ainda não oferece evidências suficientes para definir uma nova tendência de queda nas cotações do arroz. Cardoso ressalta que uma pausa nas compras para exportação não representa, necessariamente, perda permanente da demanda internacional.

Para o analista, as exportações são fundamentais, mas o equilíbrio da cadeia exige discutir também consumo interno, margens industriais, agregação de valor e organização comercial. A discussão precisa considerar tanto a capacidade da indústria de remunerar a matéria-prima quanto a necessidade de o produtor cobrir seus custos.