Boi gordo pode perder ritmo de alta no fim do mês

Demanda por carne bovina limita novas altas

Boi gordo pode perder ritmo de alta no fim do mês
ilustrativa

O mercado do boi gordo permaneceu estável em São Paulo após as altas registradas no dia anterior, sustentado pela menor oferta de animais, segundo análise do informativo Tem Boi na Linha, divulgado pela Scot Consultoria. A dificuldade dos frigoríficos em repassar os preços da arroba para a carne bovina, porém, pode limitar novos reajustes no fim de outubro.

Há relatos de negócios a R$ 395,00 por arroba (@), acima das referências vigentes no mercado paulista. No entanto, esses valores ainda não apresentam frequência suficiente para se consolidarem como referência de preços. A oferta mais restrita, especialmente de fêmeas, segue favorecendo os vendedores. Em contrapartida, o ritmo mais lento de escoamento da carne bovina aumenta a cautela da indústria frigorífica diante de novas altas.

No cenário nacional, a participação de fêmeas nos abates sob inspeção do Serviço de Inspeção Federal (SIF) caiu para 26,9% em outubro. Segundo a análise da Scot Consultoria, o percentual se aproximou, pela primeira vez em 2026, da média dos últimos cinco anos para o mês, de 26,6%. O movimento também foi observado em São Paulo, reforçando o cenário de menor disponibilidade de animais para abate, principalmente de fêmeas. As escalas de abate no estado paulista estavam, em média, programadas para sete dias.

Apesar da oferta restrita, a indústria frigorífica relata dificuldades para repassar os aumentos da arroba ao preço da carne bovina. O escoamento do produto perdeu ritmo nesta reta final do mês, o que pode reduzir o espaço para novos reajustes no curto prazo. A Scot Consultoria avalia que essa dificuldade pode estar relacionada ao fim do mês, período em que o poder aquisitivo da população tende a ser menor. Com a virada para novembro, a retomada do consumo doméstico poderá favorecer o repasse dos aumentos com mais intensidade.

No mercado externo, parte das indústrias já iniciou os abates destinados ao atendimento da demanda chinesa, mas o movimento ainda é tímido. A valorização recente do dólar favorece a competitividade das exportações brasileiras e amplia a capacidade de pagamento dos frigoríficos exportadores, que representam a maior parte do parque industrial paulista. A retomada do consumo interno e a intensificação das compras destinadas à China serão fatores importantes para determinar os próximos movimentos das cotações.

Na Bahia, as cotações permaneceram estáveis para todas as categorias, segundo o informativo Tem Boi na Linha, da Scot Consultoria. As escalas de abate estavam programadas, em média, para 11 dias no estado. Na região Oeste, o prazo médio era de 14 dias. O cenário indica que, embora a oferta mais curta continue dando sustentação aos preços, a capacidade de repasse da indústria e o comportamento da demanda devem influenciar o ritmo das negociações no início de novembro.