Pecuaristas de SP forçam reajuste no boi gordo, que agora vale R$ 360/@
Cotações da arroba seguem acima das referências históricas na maior parte das praças produtoras, destacam os analistas da Agrifatto
Com o fim do mês e, consequentemente, o menor poder aquisitivo da população, as vendas de carne bovina no mercado interno seguem patinando, mas a oferta enxuta de animais para abate, além do bom ritmo das exportações da proteína in natura, tem garantido a sustentação do movimento de alta nos preços do boi gordo, relatam os analistas de mercado.
Pelos dados apurados pela Agrifatto, os frigoríficos de São Paulo já aceitam pagar R$ 360/@, no prazo, pela arroba do boi gordo.
“A tendência é de consolidação do mercado em torno de R$ 360/@”, ressaltam os analistas da consultoria, acrescentando que “as cotações da arroba seguem acima das referências históricas na maior parte das praças produtoras”.
Nesta segunda-feira (30/3), das 17 praças monitoradas diariamente, 3 registraram valorização nas cotações do boi gordo – além de SP, na Bahia e Rondônia. Nas demais regiões, os preços ficaram estáveis.
No curto prazo, aposta a Agrifatto, o viés seguirá positivo, sustentado principalmente pela oferta restrita de animais terminados, o que limita movimentos de baixa.
Pelos dados da consultoria, as escalas de abate dos frigoríficos seguem encurtadas, atendendo, na média nacional, de 5 a 6 abates.
“Esse ambiente mantém a indústria frigorífica ativa na ‘originação’, com necessidade de pagar acima da média para garantir volume”, observam os analistas.
Segundo dados coletados pela Scot Consultoria, no mercado paulista, o animal macho sem padrão-exportação subiu R$ 3/@ nesta segunda-feira (30/3), para R$ 355/@, enquanto o “boi-China” é negociado por R$ 357/@ (valores brutos, no prazo).
Balanço da última semana
A penúltima semana de março evidenciou a consolidação de um viés altista no mercado pecuário, pautado pela assimetria entre uma oferta contida e uma demanda que não dá sinais de recuo, recorda a Agrifatto.
Amparado pela boa qualidade das pastagens nesta reta final do verão, o produtor manteve seu poder de barganha intacto, adotando uma postura defensiva ao cadenciar as vendas, acrescenta a consultoria.
“Essa estratégia forçou um encurtamento nas escalas de abate das indústrias, que precisaram elevar os preços ofertados para garantir o abastecimento necessário para a virada do mês e manter o fluxo ainda relevante de exportações de carne bovina”, analisa a Agrifatto.

Na última sexta-feira (27/3), o indicador Datagro registrou avanço de 1,25% em relação ao preço da sexta-feira anterior (20/3), cotado a R$ 355,15/@.
Na B3, a curva futura projetou um cenário de valorização nos próximos meses. O vencimento de abril/26 foi o grande destaque, subindo para R$ 367,15/@ na última sexta-feira, com forte avanço de 3,44% sobre a sexta-feira de 20/3.
O contrato de maio/26 também registrou um salto semanal robusto, de 2,47%, para R$ 361,60/@, e garantiu sustentação para o vencimento de junho/26, com aumento semanal de 0,77%, atingindo R$ 354/@.
Por sua vez, relata a Agrifatto, retenção atual de animais impulsionou prêmios de R$ 12/@ para abril/26 e R$ 6,45/@ para maio/26; devido ao receio de escassez imediata no campo.
Bezerro acima de R$ 500/@
O mercado do bezerro avançou ao longo da última semana e rompeu a marca de R$ 500/@, consolidando um novo patamar nominal de preços para a categoria, informa a Agrifatto.
Com valorização de 1,41% no período, o bezerro superou esse nível já no início da semana, ao ser negociado a R$ 16,68/kg em 24/03/2026.
A partir desse movimento, relata a Agrifatto, as cotações se mantiveram acima desse patamar ao longo de toda a semana, encerrando o período com média de R$ 16,71/kg, o que representa uma valorização de 30,55% frente a mesma semana do ano anterior.
No consolidado mensal, diz a consultoria, o preço médio de março de 2026 está em R$ 16,19/kg (equivalente a R$ 485,70/@), com alta de 4,66% no mês, configurando o maior nível nominal já registrado para a categoria.
Apesar disso, ao corrigir a série histórica de preços pela inflação, o mercado ainda não atingiu o pico observado no ciclo anterior, observa a consultoria.
“Em termos reais, o valor atual do bezerro permanece 7,98% abaixo da máxima histórica, indicando que, sob essa ótica, ainda há espaço para continuidade do movimento de valorização ao longo do ciclo”, destaca a Agrifatto.








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