Boi gordo: analistas enxergam um resto de agosto/26 mais complicado para os pecuaristas
Escoamento de carne no mercado interno lento e o arrefecimento das exportações para a China podem limitar novas altas nos preços da arroba no curto prazo, acreditam as consultorias
Embora os preços do boi gordo tenham fechado a primeira quinzena de agosto/26 em patamares firmes, a tendência para a segunda metade do mês é de uma arroba mais pressionada, refletindo um ritmo menor de negociações tanto no mercado interno quanto externo da carne bovina.
“A redução das compras chinesas – devido ao iminente esgotamento da cota de importação de salvaguarda (de 1,1 milhão de toneladas), além da perda de fôlego do consumo interno após o período de maior movimentação da primeira quinzena, pode limitar ainda mais a disposição das indústrias em pagar preços acima das referências vigentes”, observam os analistas da Scot Consultoria.
Nesta sexta-feira (14/8), de acordo com apuração da Scot, as cotações da arroba ficaram estáveis na maioria absoluta das praças brasileiras.
Com isso, no mercado paulista, a arroba do boi sem padrão-exportação segue valendo R$ 350/@, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 352/@ (valores brutos, no prazo).
Pelos dados da Agrifatto, os lotes de boiadas gordas, sejam eles com ou sem perfil para entregar ao mercado chinês, estão cotados em R$ 355/@, no prazo.
“Em São Paulo, oferta e demanda apresentam maior equilíbrio”, observa a Agrifatto, acrescentando que os frigoríficos locais preferem atuar com cautela, adquirindo basicamente os volumes necessários para atender às programações de abate, que alcançam 7 dias úteis, na média nacional.
De olho na China
Segundo o zootecnista Rodrigo de Mundo, analista da Scot, alguns sinais de desaceleração da demanda da China merecem atenção.
Em julho/26, relata Rodrigo, as importações chinesas de carne bovina in natura atingiram o menor volume de 2026 e ficaram 47,8% abaixo do registrado em junho/26.
“Esse movimento ocorre em um momento em que o Brasil avança sobre a cota estabelecida pela salvaguarda estabelecida pelo país asiático, fator que pode estar contribuindo para uma postura mais cautelosa por parte dos importadores”, ressalta o analista.

Em julho/26, a China respondeu por 36,6% dos embarques brasileiros de carne bovina, enquanto, no acumulado de 2026, essa participação alcançou 50,7%, compara Rodrigo.
Os dados parciais de agosto/26 reforçam o cenário de enfraquecimento das exportações brasileiras de carne bovina.
Até a primeira semana do mês, o Brasil exportou 52,4 mil toneladas de carne bovina, com média diária de 10,5 mil toneladas, volume 17,9% inferior ao embarcado por dia no mesmo período de 2025.
Porém, o preço médio da tonelada permaneceu valorizado, atingindo US$ 6,2 mil, com alta de 10,5% na comparação anual.
Mercado interno
As vendas de carne apresentaram desempenho razoável nas duas primeiras semanas de agosto/26. “Embora não tenham superado as expectativas, o escoamento da carne foi impulsionado pelo pagamento dos salários e pelas comemorações do Dia dos Pais”, destaca o analista da Scot.
Nesse contexto, o mercado brasileiro do boi gordo iniciou a segunda semana do mês com firmeza, com valorização para todas as categorias em diversas praças pecuárias.
“O destaque ficou para as fêmeas, cuja disponibilidade está mais limitada”, detalha Rodrigo.
Do lado da demanda, embora as indústrias do País tenham mantido uma postura cautelosa nas negociações durante as duas primeiras semanas do mês, houve maior interesse nas compras de lotes terminados para garantir escalas de abate confortáveis e estoques adequados, acrescenta o analista da Scot.
Mercado futuro: movimento de alta é interrompido
No mercado futuro, os contratos do boi gordo fecharam o pregão de quinta-feira (13/8) da B3 em baixa, interrompendo uma sequência de três sessões consecutivas de alta.
O papel com vencimento em outubro/26, pico da entressafra de boiadas a pasto, encerrou a sessão cotado a R$ 357,70/@, com recuo de 0,69% em relação ao dia anterior.












