Boi gordo tem escalas mais confortáveis e demanda mais cautelosa

Frigoríficos alongam programações de abate, parte das unidades sai das compras e mercado acompanha cenário externo, com atenção à China

Boi gordo tem escalas mais confortáveis e demanda mais cautelosa
Ilustrativa

O mercado físico do boi gordo registrou mudanças sutis na demanda ao longo da semana. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, os frigoríficos passaram a indicar uma posição mais confortável nas escalas de abate.

Além disso, parte das unidades segue fora das compras de gado neste momento, avaliando estratégias para aquisição de boiadas no curtíssimo prazo.

“Vale destacar que a progressão da cota chinesa segue como fator essencial para a formação de tendência em 2026, com o possível esgotamento apontando para preços mais baixos em maio e no restante do terceiro trimestre”, avalia.

No campo regulatório, a China tem adotado uma postura mais rigorosa. O país anunciou a suspensão das compras de um frigorífico brasileiro após a identificação de traços de acetato de medroxiprogesterona, um fármaco veterinário proibido em seu mercado.

Preços do boi gordo

Os valores do boi gordo na modalidade a prazo apresentaram o seguinte comportamento em 16 de abril:

São Paulo (Capital) – R$ 370,00 a arroba, inalterado frente ao final da semana passada.

Goiás (Goiânia) – R$ 360,00 a arroba, avanço de 1,41% frente aos R$ 355,00 registrados no final da semana passada.

Minas Gerais (Uberaba) – R$ 355,00 a arroba, aumento de 1,43% ante os R$ 350,00 registrados no fechamento da última semana.

Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 360,00 a arroba, sem mudanças frente ao encerramento da semana anterior.

Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 365,00 a arroba, aumento de 1,39% frente aos R$ 360,00 praticados no fechamento da semana passada.

 Rondônia (Vilhena) – R$ 335,00 a arroba, acréscimo de 1,52% perante os R$ 330,00 registrados no encerramento da última semana.

Atacado

No mercado atacadista, os preços apresentaram leve alta, sustentados pela boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês.

Por outro lado, a competitividade da carne bovina segue pressionada em relação a outras proteínas, especialmente a carne de frango. “O baixo poder de compra das famílias direciona o consumo para proteínas mais acessíveis”, destaca Iglesias.

O quarto do dianteiro foi negociado a R$ 23,00 por quilo, alta de 2,22% frente aos R$ 22,50 da semana anterior. Já os cortes do traseiro foram cotados a R$ 28,00 por quilo, avanço de 1,82% sobre os R$ 27,50 registrados no fechamento anterior.

Exportações

As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 591,244 milhões em abril até o momento, considerando sete dias úteis, com média diária de US$ 84,463 milhões.

O volume embarcado totalizou 97,264 mil toneladas, com média diária de 13,895 mil toneladas. O preço médio da tonelada foi de US$ 6.078,70.

Na comparação com abril de 2025, houve avanço de 39% no valor médio diário exportado, aumento de 15,1% na quantidade média diária e alta de 20,8% no preço médio.