China amplia importações de soja, mas frustra expectativas
Greve na Argentina impacta farelo de soja em Chicago
Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema) referente ao período de 10 a 16 de abril, divulgada nesta quinta-feira (16), as cotações da soja na Bolsa de Chicago voltaram aos níveis da semana anterior após um movimento de recuo. O primeiro contrato fechou o dia a US$ 11,63 por bushel, ante US$ 11,65 na semana anterior.
De acordo com a Ceema, o cenário internacional segue influenciado por fatores geopolíticos e climáticos. “A continuidade da guerra no Oriente Médio, com um cessar-fogo capenga, não permite que o mercado mundial do petróleo e outras commodities básicas se acomode”. A entidade também aponta que o avanço do plantio nos Estados Unidos começa a pressionar as cotações, com maior atenção ao chamado mercado climático.
Ainda conforme a análise, o ritmo de plantio da safra norte-americana surpreende o mercado. Até 12 de abril, a área semeada alcançava 6% do esperado, acima da média histórica de 2% para o período. Para a Ceema, esse desempenho indica condições climáticas dentro da normalidade até o momento.
No comércio exterior, os embarques de soja dos Estados Unidos somaram 814.562 toneladas na semana encerrada em 9 de abril, elevando o total do ano comercial para 31,5 milhões de toneladas, volume 25% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Outro fator de impacto foi a greve de caminhoneiros autônomos na Argentina, que provocou bloqueios em rotas de acesso aos portos. Segundo a Ceema, a paralisação influenciou o mercado de derivados. “A logística da principal colheita e o abastecimento normal dos portos, em um momento crucial para a entrada de divisas no vizinho país”. Com isso, o farelo de soja em Chicago atingiu US$ 334,40 por tonelada curta em 15 de abril, maior valor desde 2 de outubro de 2024.

Na China, as importações de soja cresceram 14,9% em março na comparação anual, mas ficaram abaixo das expectativas do mercado. O volume totalizou 4,02 milhões de toneladas, impactado por atrasos nos embarques brasileiros em razão de inspeções mais rigorosas. No acumulado de janeiro a março, as compras chinesas somaram 16,6 milhões de toneladas, queda de 3,1% frente ao mesmo período de 2025.
Nos Estados Unidos, a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas (NOPA) informou que o esmagamento de soja em março atingiu 6,16 milhões de toneladas, resultado 16% superior ao observado no mesmo mês do ano passado e o segundo maior já registrado para o período.








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