Gado cada vez mais jovem e pesado eleva a exigência nutricional: ‘boi do futuro será híbrido’, diz Cargill

Mudança no perfil do rebanho pressiona a nutrição animal e leva empresa a revisar portfólio e apostar em nova solução para sistemas integrados

Gado cada vez mais jovem e pesado eleva a exigência nutricional: ‘boi do futuro será híbrido’, diz Cargill
Ilustrativa

O avanço da produtividade na pecuária brasileira, com animais mais jovens e mais pesados, está redesenhando a demanda por nutrição e orientando novas estratégias das empresas do setor.

A leitura é da Cargill Nutrição e Saúde Animal, que lançou uma nova formulação voltada a sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e revisou seu portfólio para a produção a pasto.

Segundo Felipe Bortolotto, gerente de tecnologia para gado de corte da Cargill Nutrição e Saúde Animal, a mudança no perfil do rebanho é o principal vetor por trás dessa movimentação.

“O boi de hoje não é o mesmo de 30 anos atrás. Hoje temos um animal cerca de 25% mais pesado e mais jovem.”

Esse avanço, segundo ele, eleva as exigências nutricionais dos animais e reduz a eficiência de modelos tradicionais de suplementação.

“Se gente olhou para trás e viu que esse boi, ele ficou mais novo e mais pesado. Isso é produtividade na veia, ou seja, esse boi tem que ganhar mais peso para fazer isso. E para ganhar mais peso, ele precisa estar melhor nutrido. Ele precisa comer pasto melhor e prescrever um suplemento melhor.”

Na avaliação da empresa, esse novo padrão produtivo exige soluções mais ajustadas, sobretudo em sistemas intensificados como a integração lavoura-pecuária, que vêm ganhando espaço no país.

“Não dá para usar um suplemento igual a todos os outros. O pasto não é igual.”

É nesse contexto que a Cargill revisou seu portfólio voltado à pecuária a pasto e lançou uma nova formulação direcionada a sistemas integrados. A estratégia envolve a reorganização das soluções por segmento produtivo e o desenvolvimento de tecnologias específicas para ambientes de maior intensidade.

Entre os destaques está o Probeef ILP, voltado à integração lavoura-pecuária. Segundo a empresa, a formulação foi desenhada para atender pastagens de alta qualidade, com maior teor de nutrientes e exigências mais complexas de aproveitamento.

“Não dá mais para usar um suplemento padrão. O pasto na ILP é diferente, mais nutritivo, e exige uma nutrição mais ajustada. Ao aprimorar a absorção de nutrientes e o aproveitamento da fibra dos pastos, o Probeef ILP permite otimizar o desempenho individual e por área, impulsionando a competitividade do produtor”, afirma.

O novo produto também recebe aprimoramentos nas formulações, com níveis otimizados de macro e microminerais de alta biodisponibilidade. As mudanças ampliam a aplicação em diferentes sistemas produtivos, desde operações em fase inicial de intensificação até modelos mais avançados.

“A pecuária brasileira evolui para patamares de maior tecnificação, e esse movimento reforça que estamos na vanguarda, ampliando nossa presença no mercado com portfólio reorganizado por cadeia produtiva. Isso fortalece nossa atuação no segmento de bovinos de corte, entregando produtos e plataformas de última geração, com acompanhamento técnico das melhores pessoas do mercado, beneficiando toda a cadeia”, acrescenta Bortolotto.

Na prática, a solução combina ferramentas para melhorar a digestão do capim, otimizar o uso do nitrogênio da forragem e reduzir perdas de desempenho em sistemas mais intensivos.

Mercado em expansão

O avanço da ILP amplia o mercado potencial para esse tipo de solução. Dados citados por Bortolotto indicam que o Brasil já soma cerca de 18 milhões de hectares em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), dos quais aproximadamente 80% incluem bovinos.

Isso representa algo próximo de 14 milhões de hectares com pecuária integrada e um mercado estimado em cerca de 4,5 milhões de cabeças. A tendência, segundo a Cargill, é de crescimento acelerado, com possibilidade de quase dobrar em um horizonte de cinco anos.

Tendência de longo prazo

Na avaliação de Bortolotto, a evolução do rebanho deve continuar nos próximos anos, com impacto direto sobre a nutrição e os sistemas produtivos.

“Agora, olhando para frente, a tendência para mim vai continuar essa. Esse animal, ele vai ficar ainda mais pesado.”

O executivo pondera que há limites, especialmente no caso do zebuíno, mas reforça a continuidade do avanço.

“Claro que o zebuíno, ele tem um teto, não é como um Angus ou como outras raças taurinas que são mais pesados. O zebuíno, a raça dele, mas ele vai continuar sim, aumentando de peso e vai continuar ficando mais jovem. Então, um boi daqui a 20 anos, ele é assim, ainda mais novo e ainda mais pesado. E entre aspas, mais tecnológico.”

Segundo ele, esse processo acompanha a evolução das tecnologias aplicadas à pecuária, especialmente na nutrição.

“E à medida que a tecnologia vai também crescendo, a nutrição dele vai ficar melhor", explica.

Bortolotto compara essa transformação à evolução da indústria automotiva para explicar o ganho de eficiência ao longo do tempo.

“É como pegar esses consumos de carro antigamente que batia 80 km/h e gastava, fazia 5 km por litro. Hoje os nossos carros batem 200 por hora e fazem 18 km por litro. E agora tem os híbridos, que quando você combina, anda 25 km por litro.”

Provocado pela reportagem a falar como será o boi do futuro, ele respondeu:

“Então é isso, o boi do futuro é um boi híbrido, que vai conseguir andar bem nas pastagens, vai para o confinamento e vai ser mais jovem e mais pesado.”