Confinamento: Sudeste supera Centro-Oeste com menor custo alimentar pela primeira vez em 2026

Na comparação anual, ambas as regiões permanecem abaixo de março de 2025, aponta o Índice de Custo Alimentar Ponta

Confinamento: Sudeste supera Centro-Oeste com menor custo alimentar pela primeira vez em 2026
Ilustrativa

O custo alimentar do confinamento bovino brasileiro apresentou uma inversão na dinâmica entre as principais regiões produtoras em março de 2026, segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP).

No Centro-Oeste, o índice fechou o mês em R$ 13,23 por cabeça/dia, registrando alta de 11,93% em relação a fevereiro, pressionado principalmente pelos insumos energéticos e volumosos.

Já no Sudeste, o ICAP foi de R$ 12,19, com queda de 3,64% no comparativo mensal, consolidando o movimento de alívio nos custos observado desde fevereiro.

Na comparação anual, ambas as regiões permanecem abaixo de março de 2025. O Centro-Oeste apresenta redução de 4,89%, enquanto o Sudeste registra queda mais expressiva de 8,14%.

“O resultado marca uma inversão regional inédita em 2026: pela primeira vez no ano, o Sudeste opera com custo alimentar inferior ao Centro-Oeste, com diferença de R$ 1,04 em favor da região”, destaca o comunicado da Ponta Agro.

De acordo com a consultoria, a movimento reflete dinâmicas distintas entre as regiões. No Centro-Oeste, a alta foi puxada pelos energéticos (+16,55%) e volumosos (+15,18%), pressionados pela transição entre safras.

Já no Sudeste, mostra a Ponta Agro, a queda nos energéticos (-9,56%) e proteicos (-7,71%), impulsionada pela maior disponibilidade de coprodutos agroindustriais, sustentou a redução do custo da dieta.

“Além da inversão de custos, março evidenciou um empate técnico na lucratividade, reforçando a convergência entre as regiões. O lucro por cabeça foi de R$ 1.278,79 no Centro-Oeste e R$ 1.267,65 no Sudeste, diferença inferior a R$ 12 por animal”, aponta a empresa.

Centro-Oeste

Na análise do trimestre janeiro a março de 2026, o custo alimentar no Centro-Oeste encerrou março acima da média do período, refletindo a pressão concentrada no último mês.

⦁ Volumosos: +21,02% vs média trimestral
⦁ Energéticos: +12,35%
⦁ Proteicos: estabilidade (-0,30%)

O principal vetor de alta foi o grupo dos energéticos, influenciado pelo avanço do preço do milho grão seco (+2,2% vs média trimestral) e do sorgo (+6,9%), em um contexto de transição entre a safra de verão e a expectativa da safrinha.

Segundo as informações da consultoria, nos volumosos, a alta do grupo foi influenciada principalmente pela silagem de capim (+30,4%), que pressionou o custo médio ponderado, apesar de movimentos de alívio em insumos como silagem de milho (-8,1%).

Sudeste

No Sudeste, o custo alimentar encerra março abaixo da média trimestral (-1,79%), puxado principalmente pela redução nos custos dos insumos energéticos e proteicos.

⦁ Energéticos: -8,74% vs média trimestral
⦁ Proteicos: -5,11%
⦁ Volumosos: +43,75%

Entre os energéticos, o destaque foi a queda do sorgo (-15,3%) e o recuo do milho (-1,5%), refletindo maior disponibilidade e competitividade de coprodutos na região.

Nos proteicos, a redução foi puxada principalmente pela torta de algodão (-8,2%) e pelo DDG (-2,1%), reforçando o movimento de alívio da dieta.

“Apesar da forte alta dos volumosos, especialmente silagem de cana (+65,1%) e bagaço de cana (+23,3%), a queda dos demais grupos foi suficiente para reduzir o custo total da dieta na região”, relata o comunicado à imprensa da Ponta Agro.