CNA inicia encontros e produtor do Norte cobra mudanças no crédito do Plano Safra
Primeiro encontro regional aponta entraves no financiamento rural, avanço da inadimplência e dificuldades de acesso a recursos na região Norte
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) iniciou, na terça-feira (24), uma série de encontros regionais para discutir o Plano Safra 2026/2027, com foco nas dificuldades de acesso ao crédito rural enfrentadas por produtores da região Norte.
No primeiro encontro, representantes do setor cobraram mudanças nas regras de financiamento diante do avanço do endividamento, da burocracia e da restrição de recursos.
O objetivo dos encontros é mapear as principais demandas dos produtores em temas como crédito rural, apoio à comercialização, mercado de capitais e instrumentos de gestão de riscos, considerando as particularidades de cada região.
Entre os principais pontos levantados pelas federações da região Norte estão o aumento de recursos para a subvenção ao prêmio do seguro rural (PSR), ajustes no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a ausência de produtos financeiros adequados à realidade local e entraves relacionados à regularização fundiária e questões ambientais que impactam o acesso ao crédito.
Crédito mais restrito e avanço da inadimplência
Durante a reunião, o assessor técnico da CNA, Guilherme Rios, destacou que os debates são essenciais para revisar a política pública diante das lacunas do último ciclo.
“No ano passado construímos um documento robusto e precisamos atualizar, principalmente porque o governo não atendeu parte das nossas reinvindicações”.
Segundo ele, até fevereiro, a contratação de recursos do Plano Safra 2025/2026 ficou 13% abaixo do registrado na safra anterior. O desempenho, de acordo com Rios, reflete um cenário de maior endividamento no campo, aumento da burocracia e redução dos limites de crédito pelas instituições financeiras.
“Muitos produtores têm recorrido a fontes privadas, mesmo com taxas mais altas, em razão do endurecimento do mercado de crédito, redução de limites e pedido de garantias mais robustas”, disse.
Rios também apontou impactos da Resolução CMN 4966, em vigor desde janeiro de 2025, que alterou a forma de provisionamento de perdas pelas instituições financeiras. A mudança, segundo ele, coincidiu com um ambiente de maior inadimplência no setor.

“O aumento da inadimplência, recuperações judiciais, falta de ferramentas de gestão de riscos e controvérsias sobre execução de garantias aumentaram o receio de agentes financeiros”, esclareceu.
O assessor ressaltou ainda que o endividamento rural se consolidou como a principal pauta do setor neste ano. Em janeiro de 2026, a taxa de inadimplência do crédito rural com taxas de mercado chegou a 13,47%, o maior nível da série histórica iniciada em 2011.
Próximas etapas
A CNA seguirá com a agenda de encontros regionais nas próximas semanas. A próxima reunião está prevista para quinta-feira (26), com produtores da região Sul. No dia 1º de abril, o debate ocorrerá em Brasília, com representantes do Centro-Oeste. As rodadas seguintes serão realizadas no Espírito Santo, representando o Sudeste, e no Ceará, pelo Nordeste, em datas ainda a serem definidas.
As contribuições coletadas ao longo desses encontros serão consolidadas em um documento a ser entregue ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), além de outras autoridades e parlamentares, como subsídio para a elaboração do Plano Agrícola e Pecuário 2026/2027.








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