Grupo Potencial anuncia R$ 6 bilhões em agroenergia no PR

Investimento até 2030 amplia complexo industrial, eleva produção de biocombustíveis e reforça integração da cadeia no Paraná

Grupo Potencial anuncia R$ 6 bilhões em agroenergia no PR
Ilustrativa

O  Grupo Potencial anunciou nesta quarta-feira (25) um novo ciclo de investimentos voltado à expansão de suas operações em agroenergia.

Ao todo, serão R$ 6 bilhões aplicados até 2030,  com foco na ampliação do complexo industrial da Lapa (PR) e no aumento da capacidade produtiva da companhia.

A iniciativa reforça a estratégia de crescimento baseada na integração da cadeia produtiva e na diversificação das fontes de energia renovável. Com o plano, o grupo projeta consolidar o complexo como um dos principais polos industriais do setor e avançar na produção de biocombustíveis e coprodutos.

A expansão está estruturada sobre um modelo verticalizado, que conecta diferentes etapas da produção — do esmagamento de soja à geração de energia — incluindo biodiesel, etanol de milho, óleo degomado, DDGS, biogás e infraestrutura logística.

A projeção anual inclui até 1 bilhão de litros de etanol, 1,7 bilhão de litros de biodiesel, 500 milhões de litros de óleo degomado e 9 milhões de metros cúbicos de biogás, dentro de um sistema integrado que reúne soja, milho e energia renovável.

Segundo Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente Comercial, Relações Institucionais e Novos Investimentos do Grupo Potencial, o movimento marca uma mudança de escala na operação da empresa.

“Estamos consolidando um modelo industrial totalmente integrado, que começa no campo e termina na geração de energia limpa. Essa verticalização nos dá eficiência, competitividade global e segurança de suprimento, além de ampliar nosso impacto positivo na economia brasileira”. 

Expansão em etapas

O plano será implementado de forma escalonada. O primeiro marco foi a inauguração, nesta quarta-feira, de uma nova esmagadora de soja e da segunda maior planta de glicerina refinada do mundo, dando início à operação das novas estruturas industriais.

Até o fim de 2026, estão previstos novos projetos, incluindo a terceira planta de biodiesel, uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) em circuito fechado, a implantação de dutos para transporte de biocombustíveis e gás e iniciativas voltadas à meta de resíduo zero. Atualmente, cerca de 95% dos resíduos gerados já são reaproveitados.

Na etapa seguinte, prevista para 2028, a companhia avançará na expansão da produção de etanol de milho, ampliando a diversificação energética e a integração da cadeia. 

Ampliação da capacidade

A expansão do esmagamento de soja ocorrerá em duas etapas, passando de 3.500 para 7.000 toneladas por dia. Ao final do ciclo, a capacidade anual de processamento deve alcançar cerca de 2,3 milhões de toneladas.

Já o projeto de etanol de milho será desenvolvido em três módulos de 2.400 toneladas diárias cada, totalizando 7.200 toneladas por dia, ou aproximadamente 2,6 milhões de toneladas por ano.

Impacto econômico e logístico

Com a ampliação das operações, o Grupo Potencial projeta faturamento anual de R$ 20 bilhões até 2030, impulsionado pelo ganho de escala, diversificação do portfólio e maior eficiência industrial.

Ao final do ciclo, o complexo deverá processar 14.200 toneladas de grãos por dia, o equivalente a cerca de 4,7 milhões de toneladas por ano. A compra de grãos deve injetar aproximadamente R$ 6,3 bilhões por ano na economia, com impacto direto na renda no campo e na cadeia produtiva regional.

A operação também terá reflexos na logística. A estimativa é de cerca de 117 mil viagens de caminhões por ano, com média de 355 viagens diárias.

Na produção de farelo de soja e DDGS de milho, o volume deve alcançar 2,56 milhões de toneladas anuais. O escoamento desses coprodutos deve demandar cerca de 172 viagens diárias, totalizando aproximadamente 57 mil por ano.

Para Hammerschmidt, o novo ciclo amplia o papel do Brasil no cenário energético global.

“O Brasil tem vocação natural para liderar a produção de energias renováveis. Temos escala agrícola, tecnologia e capacidade industrial. Nosso objetivo é transformar essa vantagem competitiva em protagonismo internacional, contribuindo de forma concreta para a descarbonização e para a segurança energética”.

Além dos biocombustíveis, o grupo também atua na produção de glicerina refinada de padrão farmacêutico, com presença relevante no mercado internacional.

O novo ciclo de investimentos reforça a estratégia de longo prazo da companhia, baseada em integração produtiva, eficiência operacional e ampliação da capacidade industrial, com foco na segurança energética e no avanço da transição energética no Brasil.