Área destinada à produção de sementes de ruziziensis despenca 54,7% no Brasil

Tombo histórico: campos destinados à multiplicação da espécie encolhem mais de 66 mil hectares na safra 2025/26

Área destinada à produção de sementes de ruziziensis despenca 54,7% no Brasil
ilustrativa

Nesta safra brasileira 2025/26, a área de produção de sementes de Brachiaria ruziziensis atingiu 54.948 hectares, o que significou uma forte retração de 54,69% (ou -66.312 hectares) em relação ao plantio registrado na temporada 2024/2025 (121.260 hectares), segundo dados do Sistema de Gestão da Fiscalização (SIGEF), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Trata-se da maior queda já registrada para a espécie no período recente. Nas últimas duas décadas, a Brachiaria ruziziensis se tornou uma das principais ferramentas estratégicas utilizadas pelos produtores brasileiros.

Sua facilidade de dessecação, rápido desenvolvimento inicial e elevada produção de palhada fizeram da espécie um componente fundamental para o avanço do Sistema Plantio Direto (SPD) e da Integração Lavoura-Pecuária (ILP) em diversas regiões do País.

Segundo Thiago Maschietto, CEO e fundador da SBS Green Seeds, a retração expressiva no número de campos destinados à multiplicação da espécie está ligada ao comportamento dos preços de venda da forrageira, que recuaram fortemente diante de uma oferta abundante de sementes no mercado brasileiro – a área de produção saiu de pouco mais de 51 mil hectares em 2022/2023 para 121,260 mil hectares registrados em 2024/2025.

“Como ocorre em qualquer cadeia produtiva, o excesso de oferta pressionou os preços e reduziu a atratividade econômica da produção de sementes”, ressalta Maschietto.

O CEO da SBS Green Seeds diz que as ofertas das principais forrageiras dos gêneros Brachiaria e Panicum também recuaram na safra 2025/2026, mas a redução observada especificamente na produção de ruziziensis foi significativamente mais intensa.

“Isso exige atenção redobrada de todos os elos da cadeia”, alerta Maschietto. Segundo o CEO, quando uma queda dessa magnitude ocorre, seus efeitos tendem a impactar diretamente a disponibilidade física do produto ao longo do ciclo comercial.

“Se a demanda continuar sustentada pelos sistemas de plantio direto e ILP – e todas as evidências indicam que sim –, o mercado conviverá com uma oferta mais restrita nos próximos anos”, projeta ele, acrescentando: “Nesse cenário, é natural esperar maior valorização das sementes e uma disputa mais intensa pelos lotes de melhor qualidade”.