Mais arroz exige novos mercados

Brasil recebeu mais de 83porcento do arroz exportado pelo Paraguai no primeiro semestre

Mais arroz exige novos mercados
ilustrativa

A possibilidade de ampliar a produção de arroz no Mercosul traz o desafio de encontrar compradores e garantir remuneração aos produtores. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, o potencial de crescimento no Paraguai exige uma estratégia comercial que acompanhe a oferta. 

Em análise no Canal Pampa Gaúcho, ele cita estimativa de Reinerio Franco, vice-presidente da Feparroz, em entrevista ao InfoNegocios: o Chaco teria 400 mil hectares com potencial para o cultivo. É uma possibilidade de longo prazo, equivalente ao dobro da área prevista no país para 2026/27.

A intenção de plantio nesta safra é de 200 mil hectares, com produção projetada entre 1,2 milhão e 1,3 milhão de toneladas. Meses atrás, preços baixos e custos elevados levaram representantes do setor a cogitar redução para 150 mil a 160 mil hectares. Chuvas persistentes, inundações em Ñeembucú, atraso na semeadura e baixa luminosidade ameaçam a produtividade, embora ainda não haja perdas consolidadas.

O mercado brasileiro recebeu mais de 83% das exportações paraguaias no primeiro semestre de 2026, em equivalente casca. Essa dependência ocorre enquanto a indústria nacional enfrenta ociosidade, margens apertadas, crédito caro e pressão do varejo. Para Cardoso, ampliar a oferta sem diversificar destinos levanta dúvidas sobre quem absorverá o excedente e os efeitos sobre os preços do arroz.

O analista defende abrir mercados, especialmente na América Central, agregar valor e criar instrumentos que deem previsibilidade aos negócios. A agenda, em sua avaliação, deve envolver Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, cujos mercados já estão conectados.