Exportações do agro crescem 1,9porcento em setembro

Complexo soja avança no país; exportações do agro paulista recuam 14,6porcento

Exportações do agro crescem 1,9porcento em setembro
ilustrativa

Vendas externas do setor somaram US$ 15,17 bilhões no mês; em São Paulo, exportações do agronegócio recuaram 14,6% na comparação com setembro de 2025

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro de 2026, acima dos US$ 3,14 bilhões contabilizados no mesmo mês do ano anterior. O resultado decorreu do crescimento de 12,9% das exportações, que alcançaram US$ 34,42 bilhões, e da queda de 2,4% das importações, que totalizaram US$ 26,68 bilhões.

O agronegócio apresentou saldo positivo de US$ 13,40 bilhões no período, enquanto os demais setores da economia registraram déficit conjunto de US$ 5,66 bilhões. As exportações do setor somaram US$ 15,17 bilhões, alta de 1,9% em relação a setembro de 2025.

Entre os principais produtos exportados, a soja em grão teve aumento de 11,9% no valor das vendas externas e permaneceu como o principal item da pauta do agronegócio brasileiro. O farelo de soja registrou crescimento de 48,4%, enquanto o óleo de soja em bruto apresentou alta de 257,4%, associada ao aumento dos embarques destinados à Índia e ao Egito.

Também cresceram, na comparação com setembro de 2025, as exportações de café verde (8,7%), celulose (27,4%) e carne de frango in natura (12,6%). Por outro lado, as vendas externas de milho recuaram 17,6%. Segundo o Cepea, citado no relatório, o resultado está relacionado à menor competitividade do cereal brasileiro no mercado internacional. As exportações de carne bovina in natura caíram 30,6%, enquanto as de carne suína in natura diminuíram 22,1%.

No caso da carne bovina, a redução foi influenciada pela queda de 93,5% nos embarques destinados à China em setembro, relacionada à aplicação da salvaguarda chinesa após o preenchimento da cota anual. O aumento das vendas para os Estados Unidos, de 333,8%, e para o Chile, de 107,4%, contudo, não foi suficiente para compensar a redução das exportações para o mercado chinês.

As importações brasileiras de produtos do agronegócio somaram US$ 1,77 bilhão em setembro, crescimento de 0,7% em relação ao mesmo mês de 2025. O papel foi o principal produto importado, com compras de US$ 109,8 milhões, alta de 12,5%. Já o valor importado de trigo caiu 19,6% na comparação anual.

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as exportações brasileiras do agronegócio alcançaram US$ 133,60 bilhões, crescimento de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025. As importações do setor somaram US$ 15,16 bilhões, recuo de 0,5% na mesma comparação.

SÃO PAULO

O estado de São Paulo registrou exportações de US$ 6,64 bilhões e importações de US$ 8,40 bilhões em setembro de 2026. Em relação ao mesmo mês de 2025, as exportações cresceram 3,4% e as importações, 6,4%. Com o avanço maior das compras externas, o estado apresentou déficit comercial de US$ 1,75 bilhão, acima dos US$ 1,46 bilhão registrados em setembro do ano anterior. Já no agronegócio, o saldo comercial foi positivo em US$ 1,66 bilhões

As exportações do agronegócio paulista totalizaram US$ 2,17 bilhões, o equivalente a 14,3% das exportações brasileiras do setor. O valor foi 14,6% menor que o registrado em setembro de 2025.

O açúcar de cana em bruto foi o principal produto exportado pelo agronegócio paulista, apesar da queda de 29,7% nas vendas externas em relação a setembro de 2025. O açúcar refinado também apresentou redução, de 2,2%. Entre as proteínas animais, as exportações de carne bovina in natura recuaram 40,6%, e as de carne de frango in natura, 12,2%.

Em sentido contrário, o álcool etílico teve crescimento de 42,7% no valor exportado, acompanhado de aumento de 55,8% no volume embarcado. Também registraram alta, em valor, as vendas externas de papel (29,6%), carne bovina industrializada (41,1%), café solúvel (24,3%) e celulose (0,4%).

As importações paulistas de produtos do agronegócio chegaram a US$ 508,11 milhões em setembro, alta de 6,2% na comparação com o mesmo mês de 2025. O valor correspondeu a 28,7% das importações brasileiras do setor. O papel liderou as compras externas, com aumento de 19,5% no valor importado. Também cresceram as aquisições de salmões (30,0%), vestuário e outros produtos de algodão (16,4%), borracha natural (113,8%), arroz (39,1%) e bacalhau (236,6%).

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o agronegócio paulista registrou superávit comercial de US$ 15,6 bilhões, sustentado por exportações de US$ 20,1 bilhões. Apesar do saldo positivo, o valor exportado recuou 6,4% em relação ao mesmo período de 2025.

A China permaneceu como principal destino das vendas externas do agronegócio paulista, com participação de 24,9%, seguida pelos Estados Unidos, com 10,4%. Na comparação com janeiro a setembro de 2025, as exportações para esses mercados caíram 2,5% e 24,8%, respectivamente.

As importações paulistas de produtos do agronegócio acumularam US$ 4,47 bilhões nos nove primeiros meses de 2026, alta de 2,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Argentina foi a principal origem das compras, com participação de 13,6%, seguida por Chile (12,2%), China (9,6%) e Estados Unidos (8,7%).

Os dados fazem parte do Relatório de Acompanhamento Mensal do Comércio Exterior, edição nº 39, referente a setembro de 2026, elaborado pelo Departamento Econômico da FAESP com base em dados do MDIC/ComexStat.