Carne bovina: Brasil ganha espaço na China enquanto rivais perdem participação

Em fevereiro/26, as importações chinesas somaram 268,28 mil t e o Brasil respondeu por quase 60 porcento do total, com 160,78 mil t embarcadas

Carne bovina: Brasil ganha espaço na China enquanto rivais perdem participação
Ilustrativa

No primeiro bimestre deste ano, o Brasil foi o único entre os maiores fornecedores de carne bovina à China a ganhar espaço no mercado do país asiático, destaca a Agrifatto.

No total, os importadores chineses compram 640,99 mil toneladas de carne bovina no primeiro bimestre de 2026, um avanço expressivo de 39,21%, frente ao mesmo período de 2025.

“O movimento reforça a posição da China como principal destino global da proteína bovina”, destaca a consultoria.

Só em fevereiro/26, as importações chinesas de carne bovina somaram 268,28 mil toneladas e o Brasil respondeu por quase 60% (59,93%) do total, com 160,78 mil toneladas embarcadas.

No acumulado de 2026, a China importou 372,08 mil toneladas da proteína, um salto anual de 75,78%. Considerando os dois primeiros meses do ano, a participação brasileira atingiu 58%, um acréscimo de 13,16 pontos percentual frente ao resultado registrado no mesmo intervalo do ano passado, destaca a Agrifatto.

Em contrapartida, Argentina e Austrália, outros grandes fornecedores da commodity, perderam participação, fechando o bimestre respondendo por 16% e 11%, respectivamente, do mercado importador da China.

Medida de salvaguarda em andamento

Com a implementação das salvaguardas chinesas, a partir do início de janeiro/26, o ritmo de importação de carne bovina ganhou uma nova leitura, observa a Agrifatto.

A Austrália já preencheu 35,34% da sua cota de 205 mil toneladas, com 72,45 mil toneladas internalizadas, informa a consultoria. Por sua vez, o Brasil aparece logo na sequência, com 33,64% de preenchimento, enquanto a Argentina atinge 20,20%, acrescentam os analistas.

No caso brasileiro, diz a Agrifatto, os números divulgados pelo governo de Pequim exigem uma leitura mais cuidadosa.

Segundo a consultoria, os dados chineses apontam 372,08 mil toneladas importadas do Brasil, mas os embarques efetivos brasileiros no primeiro bimestre somaram 223,52 mil toneladas.

“Ou seja, 148,56 mil toneladas ainda são oriundas de embarques realizados no final de 2025 e apenas internalizados agora”, esclarece a consultoria.

Além disso, continuam os analistas, atualmente, há mercadorias em trânsito, que devem ser incorporadas ao longo das próximas semanas e divulgadas nos próximos meses, compondo diretamente essa cota.

“Considerando a média de importação chinesa de carne bovina brasileira observada até o momento em 2026, de 186,04 mil toneladas, a tendência é que a cota seja totalmente preenchida já em junho/26”, acredita a Agrifatto.

Chineses pagam mais pela carne brasileira

No primeiro bimestre do ano, o valor médio pago pela carne bovina brasileira chegou a US$ 5,60 mil/t, uma alta de 11,16% no comparativo anual e o maior patamar já registrado, destaca a consultoria.

Por sua vez, o preço médio geral das importações chinesas ficou em US$ 5,48 mil/t, colocando a carne brasileira com um ágio de 2,19%, contabiliza a Agrifatto.

“Mais recentemente, as negociações já avançam para a casa dos US$ 7,00 mil/t, sinalizando uma disputa mais intensa pelo produto brasileiro”, observa a consultoria, que acrescenta: “Em um cenário de oferta global ainda ajustada e com as cotas avançando rapidamente, o mercado parece antecipar movimentos”.