Fretes agrícolas têm comportamento distinto entre regiões em julho
Entressafra reduz demanda em algumas praças
O mercado de fretes agrícolas apresentou comportamentos diferentes entre as principais regiões produtoras de grãos em julho, segundo o Boletim Logístico de agosto da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Enquanto a menor demanda por transporte pressionou as tarifas em parte das praças, o avanço da colheita do milho e a movimentação de outras culturas mantiveram os preços sustentados em algumas regiões.
A Conab estima que a produção brasileira de grãos na safra 2025/26 alcance 360,8 milhões de toneladas, aumento de 2,4% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada deve chegar a 83,5 milhões de hectares, crescimento de 2,1%. Entre os principais avanços estão soja, milho e sorgo.
Na Bahia, o mercado de fretes apresentou tendência de queda na maior parte das regiões produtoras. A redução da demanda durante a entressafra aumentou a disponibilidade de caminhões e intensificou a concorrência entre transportadores, pressionando as tarifas.
Em Irecê, porém, o movimento foi de alta. O aumento da comercialização de mamona, impulsionado pela demanda das indústrias de óleo e biocombustíveis, elevou a procura por transporte. A movimentação de hortifrutigranjeiros, especialmente cebola, também contribuiu para aumentar a disputa por caminhões.
Em Luís Eduardo Magalhães, a atividade logística permaneceu elevada devido à movimentação de soja, milho e algodão, mas a demanda por transporte recuou em relação a junho. Com o avanço da comercialização das principais culturas, os fretes apresentaram queda. Em julho, por exemplo, o transporte de Luís Eduardo Magalhães para Salvador ficou em R$ 260 por tonelada, redução de 7% no mês, mas alta de 8% em relação a julho de 2025.
No Distrito Federal, os fretes permaneceram em níveis elevados, embora mais estáveis do que durante o pico de escoamento da soja entre março e maio. A colheita do milho segunda safra, o transporte de grãos para armazéns e indústrias e os custos operacionais ainda elevados ajudaram a sustentar os valores.
As rotas com origem em Brasília registraram altas moderadas em julho. O frete para Araguari (MG) subiu 2%, para R$ 171,33 por tonelada, enquanto o transporte para Uberaba (MG) aumentou 2%, chegando a R$ 194,67. Para Santos (SP), a alta mensal foi de 1%, com valor de R$ 366,67 por tonelada.
A Conab avalia que a demanda por transporte no Distrito Federal segue consistente com a movimentação de milho e de parte dos estoques de soja. Apesar da menor pressão em comparação com o primeiro semestre, a oferta de caminhões permanece ajustada à demanda nas principais rotas. Para os próximos meses, a expectativa é de leve acomodação dos preços, acompanhando a redução sazonal do volume transportado, desde que não haja aumento significativo do diesel ou novas pressões sobre a infraestrutura logística.
Em Goiás, o avanço da colheita do milho ocorreu em ritmos diferentes entre as regiões. No sudoeste, cerca de 60% da área havia sido colhida até o fim de julho, enquanto no leste o índice chegou a 40%. A diferença aumentou a demanda logística no sudoeste e deve contribuir para o aquecimento das operações no leste em agosto.



A comercialização da soja 2025/26 em Goiás avançou para uma faixa entre 85% e 90%, enquanto as vendas antecipadas da próxima safra alcançaram 35%. O planejamento do novo ciclo também passou a considerar os riscos climáticos associados à alta probabilidade de ocorrência do El Niño.
No cenário nacional, o milho da segunda safra avançou na colheita, enquanto o crescimento do consumo interno, especialmente para produção de etanol e abastecimento das cadeias de proteína animal, influencia a demanda por transporte. Até julho, as exportações brasileiras de milho somaram 9,8 milhões de toneladas, acima das 8,9 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.
O comportamento dos fretes segue, portanto, diretamente ligado ao calendário das safras, ao ritmo de comercialização e à disponibilidade de veículos. Enquanto o encerramento do pico de escoamento da soja amplia a oferta de caminhões em algumas regiões, a colheita do milho e o avanço do algodão mantêm a movimentação logística em outras praças.












