Tocantins testa tecnologia para rastrear bovinos individualmente até o frigorífico
Experimento envolve fazendas, revendas agropecuárias, leilão e frigoríficos para avaliar o acompanhamento dos animais ao longo da cadeia produtiva
O Tocantins avança nos testes de rastreabilidade individual de bovinos, tecnologia que permitirá acompanhar a identificação e a movimentação dos animais ao longo da cadeia produtiva. Desde setembro, 1.667 bovinos já receberam brincos de identificação, em uma iniciativa que envolve 19 propriedades rurais e agroindústrias do estado.
A etapa mais recente ocorreu nesta quarta-feira (28), na Fazenda Lago das Araras, em Cristalândia, na região oeste do Tocantins. Durante a atividade, 115 animais receberam dois tipos de identificadores: um brinco visual e outro eletrônico, equipado com tecnologia de radiofrequência (RFID).
Os procedimentos fazem parte da Prova de Conceito (PoC) do Rastreia-TO, projeto conduzido pela Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec), em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro).
A fase experimental busca verificar como a tecnologia funciona nas condições reais da pecuária tocantinense, desde a aplicação dos identificadores nas fazendas até o registro e a consulta das informações sobre cada animal.
Como funciona a identificação dos bovinos
O sistema de rastreabilidade individual combina a identificação física dos animais com o armazenamento digital de informações.
Na prática, cada bovino recebe identificadores nas orelhas, que permitem associá-lo a um registro no sistema. A partir desses dados, é possível acompanhar seu histórico e suas movimentações entre estabelecimentos, conforme os procedimentos de rastreabilidade adotados.
A tecnologia RFID permite a leitura eletrônica dos identificadores, facilitando a coleta de informações e reduzindo a necessidade de registros manuais.
Além de contribuir para o controle sanitário, a rastreabilidade pode auxiliar os pecuaristas na gestão do rebanho e no atendimento às exigências de mercados compradores, especialmente aqueles que demandam informações sobre a origem dos animais.
Testes envolvem fazendas, leilão e frigoríficos
Iniciada em setembro de 2026, a Prova de Conceito tem previsão de encerramento na última semana de novembro.
O planejamento contempla a participação de 21 propriedades rurais, divididas igualmente entre pequenos, médios e grandes estabelecimentos. A proposta é avaliar a aplicação da tecnologia em diferentes realidades produtivas, considerando as particularidades de cada propriedade.
Os testes também incluem duas revendas agropecuárias, um leilão, três frigoríficos e dois fabricantes de identificadores.
A participação desses segmentos permite avaliar a circulação das informações ao longo da cadeia pecuária, incluindo situações em que os animais deixam as propriedades de origem e passam por outros estabelecimentos.
O projeto também prevê a capacitação de produtores rurais, técnicos e profissionais envolvidos na identificação e no acompanhamento dos bovinos.
Rastreabilidade ganha importância após fim da vacinação contra aftosa
A implantação da rastreabilidade ocorre em um momento de mudanças na vigilância sanitária do rebanho tocantinense. Desde a suspensão da vacinação contra a febre aftosa, em 2022, o estado passou a depender de medidas de vigilância para preservar sua condição sanitária.
Segundo o presidente da Adapec, Lenito Coelho Abreu, os testes são importantes para identificar eventuais dificuldades operacionais antes da ampliação do sistema.

“Com a suspensão da vacinação contra a febre aftosa em 2022, o fortalecimento da vigilância tornou-se ainda mais importante para mantermos o status sanitário do Tocantins. A rastreabilidade é uma ferramenta que contribui para esse processo, permitindo acompanhar a identificação e a movimentação dos animais, além de melhorar o controle da produção nas propriedades rurais e ampliar a confiança dos mercados compradores”, afirmou.
Identificação individual deve avançar até 2032
O Rastreia-TO está alinhado ao Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Pnib), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que estabelece um cronograma de implantação da rastreabilidade individual até 2032.
Com um rebanho estimado em aproximadamente 12 milhões de bovinos, o Tocantins está entre os estados com participação relevante na pecuária brasileira. A implantação do sistema representa uma mudança na forma de registrar e acompanhar os animais, com possíveis reflexos na rotina das fazendas, nas operações comerciais e no controle sanitário.
A rastreabilidade também ganha importância diante das exigências de compradores internacionais por informações mais detalhadas sobre a origem e o histórico dos animais.
Nesta fase, o principal objetivo é avaliar a viabilidade operacional das tecnologias e identificar os ajustes necessários para uma futura implantação em maior escala.
Além da Adapec e da Seagro, participam da iniciativa a The Nature Conservancy (TNC), Granter, Allflex, MSD Animal e Datamars.











