Tocantins pode superar 10 milhões de toneladas de grãos pela primeira vez na safra 2026/2027
Projeção da Conab aponta crescimento de 2,9porcento na produção e expansão de 4,9porcento na área plantada; soja e milho devem responder por quase 90porcento da colheita estadual
O Tocantins poderá alcançar um novo recorde na produção de grãos na safra 2026/2027. Segundo o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em outubro, o estado deve produzir 10,03 milhões de toneladas, volume 2,9% superior ao registrado no ciclo anterior. Caso a estimativa se confirme, será a primeira vez que a produção estadual ultrapassará a marca de 10 milhões de toneladas.
O crescimento representa aproximadamente 286 mil toneladas adicionais em relação à safra 2025/2026. A área cultivada também deverá aumentar, passando para 2,63 milhões de hectares, expansão de 4,9%, equivalente a 123,2 mil hectares a mais.
As projeções consideram a ampliação das áreas agrícolas, a conversão de pastagens para lavouras e os investimentos em tecnologias de produção. Entretanto, o desempenho da safra dependerá principalmente das condições climáticas ao longo do ciclo.
Soja deve alcançar 5,95 milhões de toneladas
Principal cultura agrícola do Tocantins, a soja continuará liderando a produção estadual. A previsão é de que a oleaginosa ocupe aproximadamente 1,72 milhão de hectares, aumento de 4,3% em relação à temporada anterior.
A produção está estimada em 5,95 milhões de toneladas, o equivalente a 59,3% de todos os grãos produzidos no estado.
Apesar da expansão da área plantada, a Conab projeta uma redução de 0,8% no volume colhido, devido à expectativa inicial de menor produtividade média das lavouras.
O milho, por outro lado, apresenta uma perspectiva de crescimento mais expressiva. A área destinada ao cereal deverá alcançar 572,6 mil hectares, aumento de 14,9%, enquanto a produção está estimada em 3,05 milhões de toneladas, avanço de 12,2%.
O destaque é o milho de primeira safra, cuja área plantada poderá crescer 32,1%, chegando a aproximadamente 101,7 mil hectares.
A expansão está relacionada à demanda da indústria de etanol de milho, ao fortalecimento da produção de proteína animal e às perspectivas de mercado para o cereal.
Juntas, soja e milho deverão responder por aproximadamente 90% da produção de grãos do Tocantins.
Arroz também apresenta perspectiva de crescimento
Outra cultura com previsão de aumento é o arroz. A Conab estima uma produção de 679,5 mil toneladas na safra 2026/2027, crescimento de 6,7% em comparação com o ciclo anterior.
A área cultivada deverá alcançar 110,3 mil hectares, expansão de 2,7%.
A produção de arroz tem importância estratégica para a agricultura tocantinense, especialmente nas regiões de várzeas tropicais, onde o cultivo irrigado contribui para o abastecimento do mercado nacional.
Entre as demais culturas, o gergelim deverá registrar produção de 22,8 mil toneladas, aumento de 6,6%.
Já o feijão e o sorgo apresentam perspectivas de redução, com produções estimadas em 115,9 mil toneladas e 165,7 mil toneladas, respectivamente.
Irregularidade das chuvas pode influenciar resultado da safra
Apesar das projeções positivas, as condições climáticas seguem como um dos principais fatores de atenção para os produtores rurais.
De acordo com os prognósticos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), apresentados pela Conab, o período entre outubro e dezembro de 2026 poderá registrar chuvas abaixo da média histórica em grande parte do Tocantins, especialmente nas regiões norte e central.
A distribuição das precipitações será determinante para o desenvolvimento das lavouras, principalmente durante a implantação da soja, cultura que depende de condições adequadas de umidade do solo para a germinação e o estabelecimento das plantas.

Segundo o engenheiro agrônomo da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro), Thadeu Teixeira Júnior, o planejamento agrícola será fundamental para reduzir riscos.
“Estamos no início da safra e o comportamento climático será decisivo para os resultados. É fundamental que os produtores acompanhem as previsões meteorológicas, façam a escolha adequada das cultivares e adotem práticas de manejo conservacionista do solo para reduzir os riscos e preservar a produtividade”, explica.
Preços agrícolas também influenciam decisões dos produtores
Além do clima, as perspectivas de mercado e os custos de produção deverão influenciar o planejamento das propriedades rurais.
Em setembro de 2026, a soja foi comercializada, em média, a R$ 139,44 por saca, valorização de 9,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
O milho registrou preço médio de R$ 58,30 por saca, alta de 8%, enquanto o arroz alcançou R$ 119,25 por saca, avanço de 57,4%, influenciado principalmente pela menor oferta no ciclo anterior.
Os indicadores ajudam a explicar as expectativas de expansão de algumas culturas, especialmente o milho, que vem ganhando espaço diante do crescimento da demanda industrial.
Por se tratar do primeiro levantamento da Conab para a safra 2026/2027, os números ainda poderão ser revisados conforme o avanço do plantio, o comportamento das chuvas e as condições do mercado agrícola.
Com informações da Conab e do Governo do Tocantins.











