Safra de soja avança com perdas e gargalos logísticos

No Paraná, a colheita alcança 42 porcento da área total

Safra de soja avança com perdas e gargalos logísticos
Ilustrativa

A colheita da soja avança de forma desigual nas principais regiões produtoras do país, em meio a problemas climáticos, gargalos logísticos e variações nos preços pagos ao produtor. Levantamento divulgado pela TF Agroeconômica nesta quarta-feira aponta cenários bastante distintos entre os estados, com perdas severas no Sul e forte pressão de oferta em áreas de grande produção no Centro-Oeste.

No Rio Grande do Sul, a situação é considerada crítica. Apenas 1% da área estimada em 6,68 milhões de hectares foi colhida até o momento, enquanto a estiagem provocou perdas irreversíveis estimadas em 2,71 milhões de toneladas, cerca de 13% da produção inicialmente projetada.

Em Santa Catarina, o cenário é mais estável. A colheita segue em ritmo considerado normal e voltada principalmente ao abastecimento da agroindústria de proteína animal do estado. O Porto de São Francisco do Sul encerrou o dia com a saca cotada a R$ 128,50. Nas cooperativas, a Copérdia registra média de R$ 121,00 para soja de associados. O farelo segue valorizado, cotado a R$ 1,97 por quilo a granel, pressionando os custos da cadeia de aves e suínos.

No Paraná, a colheita alcança 42% da área total. O indicador CEPEA/ESALQ aponta preço de R$ 121,52 para o estado, enquanto o Porto de Paranaguá mantém estabilidade em R$ 127,50. Em Pitanga, a cotação chegou a R$ 117,30 após valorização de 3,53%. O avanço da colheita tem gerado saturação de silos e ampliado o uso de silo bolsa, enquanto produtores relatam dificuldades causadas por quedas de energia que afetam o funcionamento de secadores.

No Mato Grosso do Sul, os trabalhos de campo superam 43,9% da área cultivada. O estado enfrenta alerta fitossanitário com mais de 60 casos de ferrugem asiática confirmados. O aumento da doença eleva custos com fungicidas e ocorre em um momento em que os fretes rodoviários registram alta de até 33% em rotas críticas. Em Dourados, a soja foi cotada a R$ 108,00, enquanto Maracaju registrou R$ 109,00.

Já o Mato Grosso lidera o ritmo nacional de colheita, com 78,34% da área já retirada das lavouras. O grande volume colhido pressiona os preços locais e intensifica os gargalos logísticos. O frete entre Sinop e Miritituba chega a cerca de R$ 20 por saca, consumindo parte significativa da margem do produtor. Em Rondonópolis, a soja foi negociada a R$ 110,00, enquanto em Sorriso a cotação ficou em R$ 101,70.