Após sucessivas altas, preço do leite ao produtor apresenta estabilidade

No Sudeste e no Centro-Oeste, os valores do leite se mantiveram em alta em maio, mas, no Sul do Brasil, registraram queda.

Após sucessivas altas, preço do leite ao produtor apresenta estabilidade
ilustrativa

leite

De acordo com a pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o preço do leite pago ao produtor em maio/26 apresentou estabilidade e fechou em R$ 2,6617/litro na “Média Brasil”, com ligeira queda de 0,45% frente ao de abril/26 e 3,8% abaixo do registrado em maio do ano passado, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de maio/26)

No Sudeste e no Centro-Oeste, os valores do leite se mantiveram em alta em maio, mas, no Sul do Brasil, registraram queda. Isso porque, no Sudeste e Centro-Oeste, a produção ainda está mais limitada em função da sazonalidade e da diminuição do potencial produtivo – pelo fato de muitos produtores terem reduzido investimentos depois das margens apertadas em 2025. Com isso, a concorrência entre os laticínios pela aquisição de leite cru seguiu sustentando as negociações nessas bacias leiteiras.

Já no Sul do País, o clima favorável, as boas pastagens de inverno e a produção se recuperando rapidamente pressionaram as cotações. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) registrou aumento de 0,07% de abril para maio na Média Brasil, porém, no acumulado do ano, a queda é de 13,7%.

Segundo a pesquisa do Cepea, o Custo Operacional Efetivo (COE) registrou em maio a primeira queda de 2026, de 1,39% na “Média Brasil”. Apesar do recuo mensal, o COE ainda registra avanço de 1,80% no acumulado deste ano. A elevação em 2026 está atrelada ao aumento das despesas com nutrição, sanidade e operações mecanizadas.

Pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostra que, em maio, o leite UHT se desvalorizou 7,56% frente ao mês anterior. Já os preços da muçarela e do leite em pó permaneceram estáveis no período, com leves altas de 0,12% e de 0,13%, respectivamente, frente a abril. Na primeira quinzena de junho, especificamente, assim como observado em maio, o movimento de queda dos preços vem ganhando força entre os derivados lácteos.

No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos registraram alta de 3,58% em maio, alcançando 226,21 milhões de litros Equivalente-Leite (EqL), avanço de 28% quando comparado com maio de 2025. As exportações também cresceram, com alta de 45,33%, totalizando 5,81 milhões de litros EqL. Na comparação com maio do ano passado, porém, o volume exportado foi 21,42% menor.

A expectativa para junho ainda é de comportamento desigual entre as bacias leiteiras. É possível que o Sul continue registrando quedas, mas que Sudeste e Centro-Oeste mantenham tendência altista rumo à estabilidade. 

Fonte: Cepea

AGRONEWS