Soja resiste à pressão externa enquanto exportações de milho perdem ritmo no Brasil

Prêmios de exportação sustentam preços da soja no mercado doméstico, enquanto atraso da colheita e cautela dos compradores limitam negócios com milho

Soja resiste à pressão externa enquanto exportações de milho perdem ritmo no Brasil
ilustrativa

O mercado brasileiro de grãos começa a semana com movimentos distintos para soja e milho. Enquanto as cotações da soja no Brasil encontram sustentação nos prêmios de exportação e na demanda, mesmo diante da pressão sobre os contratos futuros em Chicago, o milho enfrenta menor ritmo de embarques e negociações domésticas mais cautelosas.

As informações são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgadas nesta segunda-feira (10).

Soja encontra suporte no mercado brasileiro

No mercado internacional, as condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da safra de soja dos Estados Unidos aumentaram as expectativas de maior oferta global da oleaginosa e pressionaram os contratos futuros negociados na CME Group, a Bolsa de Chicago, nos últimos dias.

Segundo o Cepea, a redução das preocupações relacionadas à produção norte-americana também afastou compradores de negociações envolvendo grandes volumes, contribuindo para a pressão sobre as cotações internacionais.

No Brasil, entretanto, esse movimento externo não tem sido repassado integralmente aos preços. A valorização dos prêmios de exportação de soja e derivados vem ajudando a sustentar as cotações domésticas.

O cenário é reforçado pelo consumo interno aquecido e pela elevada demanda de compradores estrangeiros por produtos brasileiros. Com isso, mesmo diante da pressão observada em Chicago, fatores internos e ligados às exportações dão suporte ao mercado nacional.

Milho tem exportações abaixo de 2025

Para o milho, o cenário é marcado por menor ritmo de exportações. Apesar de uma leve melhora observada no fim de julho, os embarques brasileiros continuam abaixo dos registrados no mesmo período de 2025.

De acordo com o Cepea, o desempenho está relacionado principalmente ao atraso da colheita nesta temporada e aos baixos valores praticados nos portos.

A menor liquidez também aparece no mercado doméstico. Consumidores seguem cautelosos nas novas negociações e, embora parte deles permaneça ativa, há resistência aos preços considerados firmes pelos vendedores.

Do lado dos produtores, a oferta permanece limitada. Conforme o Cepea, vendedores têm priorizado o consumo dos estoques diante do atraso da colheita e mantêm a expectativa de que as exportações brasileiras ganhem ritmo.

Esse impasse entre compradores resistentes aos atuais patamares de preços e produtores pouco dispostos a ampliar a oferta tem limitado o volume de negócios no mercado interno.

Assim, soja e milho atravessam agosto sob fundamentos diferentes: enquanto a oleaginosa encontra sustentação na demanda e nos prêmios de exportação, o cereal depende de uma aceleração da colheita e dos embarques para ampliar a liquidez no mercado.