Preços da indústria caem 0,83porcento em julho, mostra IBGE

Queda foi a segunda consecutiva no IPP

Preços da indústria caem 0,83porcento em julho, mostra IBGE
ilustrativa

Os preços da indústria recuaram 0,83% em julho, segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mantém a trajetória negativa observada em junho, quando a queda havia sido de 0,81%. Das 24 atividades industriais pesquisadas, 11 registraram redução de preços no mês.

Com o resultado de julho, o IPP acumulou alta de 3,09% nos primeiros sete meses de 2026. Em 12 meses, a variação ficou em 1,94%, abaixo dos 2,47% registrados em junho. No mesmo período de 2025, o acumulado até julho estava negativo em 3,43%.

Entre as atividades pesquisadas, o maior recuo mensal foi registrado por Refino de petróleo e biocombustíveis, com queda de 5,65%. Outros produtos químicos tiveram redução de 4,49%, enquanto as Indústrias extrativas recuaram 4,38%. Na direção oposta, Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos tiveram alta de 11,37%, a maior variação positiva do mês.

O setor de refino de petróleo e biocombustíveis também exerceu a maior influência sobre o resultado geral, contribuindo com -0,56 ponto percentual (p.p.) para a queda de 0,83%. Outros produtos químicos responderam por -0,39 p.p., enquanto Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos contribuíram positivamente com 0,27 p.p.

Categorias econômicas

Entre as grandes categorias econômicas, os preços dos bens intermediários caíram 1,83% em julho e foram responsáveis pela maior influência negativa sobre o resultado da indústria. Como representam 54,10% do índice, responderam por -1,00 p.p. da variação total.

Os bens de consumo tiveram queda de 0,10%, enquanto os bens de capital registraram alta de 2,75%. Dentro dos bens de consumo, os duráveis recuaram 0,37% e os semiduráveis e não duráveis tiveram queda de 0,05%.

No acumulado do ano, os bens intermediários tiveram alta de 3,96%, os bens de capital avançaram 2,84% e os bens de consumo subiram 1,92%. Em 12 meses, as variações foram de 2,16%, 3,70% e 1,27%, respectivamente.

Alimentos

Os preços dos alimentos aumentaram 0,12% em julho na comparação com junho. No acumulado de 2026, a alta chegou a 0,47%. Em 12 meses, porém, o setor ainda registra queda de 3,14%.

Apesar do resultado negativo na comparação anual, o recuo foi o menos intenso dos últimos 11 meses. O setor também foi o que mais influenciou o resultado do IPP em 12 meses, com contribuição negativa de 0,78 p.p.

Entre os produtos que contribuíram para o resultado de julho estão leite esterilizado, carnes bovinas frescas ou refrigeradas, resíduos da extração de soja e açúcar VHP. O preço do leite UHT aumentou, influenciado por uma demanda mais forte e, em alguns casos, por problemas pontuais na captação. Já a carne bovina recuou diante de uma demanda interna menos aquecida e da valorização do real.

Os resíduos da extração de soja tiveram alta de preços impulsionada principalmente pela demanda externa. No caso do açúcar VHP, a valorização esteve relacionada a dificuldades na colheita e moagem da safra, incluindo o excesso de chuvas em algumas regiões produtoras.

Eletrônicos

O setor de Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos teve alta de 11,37% nos preços em julho. Foi a maior variação mensal registrada pela atividade desde o início da série histórica, em janeiro de 2010. Até então, o maior avanço havia sido de 5,63%, entre março e abril de 2020.

A elevação foi disseminada pela cadeia de componentes eletrônicos, especialmente memórias DRAM e NAND, que tiveram fortes reajustes no mercado internacional. A renovação de contratos de fornecimento de semicondutores e a alta dos preços de componentes também pressionaram os custos dos fabricantes.

Com o resultado de julho, a inflação do setor passou de 5,56% para 17,56% no acumulado do ano. Em 12 meses, avançou de 7,34% para 21,10%, as maiores taxas entre as atividades investigadas pelo IPP.

Outros setores

As Indústrias extrativas registraram queda de 4,38% em julho, no terceiro mês consecutivo de recuo. O setor acumulou baixa de 2,42% no ano e de 4,21% em 12 meses. O resultado acompanha a dinâmica dos preços no mercado internacional.

Em Outros produtos químicos, os preços caíram 4,49% no mês, após recuo de 2,99% em junho. Apesar da queda, o setor acumula alta de 11,51% no ano e de 3,72% em 12 meses. A redução recente foi influenciada pelo desempenho do segmento petroquímico, incluindo a queda de 15,86% nos preços de resinas e elastômeros.

Borracha e plástico tiveram queda de 0,86% em julho, mas ainda acumulam alta de 14,35% no ano e de 14,63% em 12 meses. Já a Metalurgia recuou 0,67% no mês, encerrando uma sequência de três resultados positivos. Mesmo assim, os preços do setor estão 6,83% acima dos registrados em julho de 2025.

O IPP mede a evolução dos preços de produtos na porta de fábrica, sem considerar impostos e fretes, das indústrias extrativas e de transformação. O indicador acompanha os preços praticados em diferentes etapas da cadeia produtiva antes da chegada dos produtos ao consumidor.