Indústria de fertilizantes faz apelo para o fim da dependência externa de insumos para agricultura

Em carta aberta, o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes aborda a crise pela qual o setor passa em 2026

Indústria de fertilizantes faz apelo para o fim da dependência externa de insumos para agricultura
ilustrativa

Imagem gerada por IA para o Canal Rural

O Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert) divulgou na última terça-feira (13), Dia Mundial dos Fertilizantes, Carta Aberta ao Brasil, cobrando o fortalecimento da indústria brasileira para estes insumos.

No texto, o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert) defende que há uma lógica de dependência externa intrínseca no agronegócio. “Por trinta anos, o Brasil tratou os fertilizantes como uma conta a fechar. Exportávamos alimentos e, com parte dessa riqueza, comprávamos lá fora os insumos de que precisávamos”, escreve.

O documento vem em um momento de crise do segmento. Os últimos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que o preço dos fertilizantes importados subiu 12,8% em agosto.

Os recentes gargalos no estreito de Ormuz causaram inflação em diversos componentes do fertilizante importado, como a ureia, o nitrato, o sulfato de amônio e o enxofre, além dos impactos no gás, no frete marítimo e no transporte rodoviário.

Isso causou uma queda de 22,3% nas entregas de fertilizantes para o mercado brasileiro em julho, o que já prejudicou o desempenho de diversos produtos agrícolas brasileiros.

O Sinprifert calcula que, ao longo dos últimos 30 anos, o agro brasileiro já destinou R$ 1,4 trilhão, em valores de hoje, para a compra dos importados – que correspondem a 85% do total de fertilizantes usados no Brasil. No entanto, já existem iniciativas brasileiras trabalhando para reverter este cenário.

O sindicato alega que “este dinheiro gerou renda, empregos e fábricas em outros países”. A carta destaca a necessidade de investimento em uma indústria nacional capaz de produzir itens de maior valor agregado, como os fertilizantes.

Ainda afirma a importância de que esse desenvolvimento seja sustentável, com economia circular, energia renovável e inovações biotecnológicas.

Ao fim da carta, o Sinprifert elege cinco compromissos a assumir com o Brasil:

Que tudo que investimos no Brasil volte multiplicado para o Brasil

Que a terra desnutrida volte a dar frutos

Que a nossa pegada seja cada vez mais leve

Que o Brasil lidere a próxima revolução verde

Que o futuro desenhado se torne realidade

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.