Custo de embalagens pode elevar preço dos alimentos em até 10%
Setor teme impacto da alta internacional das resinas e da possível ampliação do antidumping sobre polietileno importado dos Estados Unidos e Canadá
Entidades da proteína animal alertam que custo de embalagens pode elevar preço dos alimentos em até 10%
A indústria brasileira de proteína animal alertou nesta segunda-feira (11) para o risco de aumento nos preços dos alimentos diante da escalada dos custos das embalagens utilizadas pelo segmento.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e entidades estaduais do setor, a combinação entre a alta internacional das resinas plásticas e a possível ampliação das medidas antidumping sobre o polietileno importado dos Estados Unidos e Canadá pode elevar ainda mais os custos da cadeia produtiva, pressionar as exportações e chegar ao consumidor final.
De acordo com o posicionamento conjunto divulgado pelas entidades, os custos das resinas utilizadas na fabricação de embalagens para produtos congelados e processados já acumulam alta próxima de 70% desde o agravamento do conflito no Oriente Médio.
A preocupação aumentou com a proposta de revisão da medida antidumping aplicada ao polietileno importado dos Estados Unidos e Canadá. Atualmente, a tarifa estaria em cerca de US$ 200 por tonelada, mas a proposta em discussão prevê elevação para aproximadamente US$ 735 por tonelada.
Na avaliação do setor, a mudança pode gerar uma pressão adicional próxima de 25% sobre o custo das resinas utilizadas pela indústria. Dependendo da tecnologia empregada, o impacto sobre as embalagens pode variar entre 16% e 22%.
Com isso, as estimativas apontam que o impacto nos preços dos produtos, que já supera 5% devido ao cenário internacional, poderá se aproximar de 10% caso as medidas antidumping avancem.
Dependência de resinas importadas preocupa cadeia produtiva
A cadeia de proteína animal depende diretamente de embalagens técnicas específicas para produtos congelados e processados, essenciais para garantir segurança sanitária, resistência a baixas temperaturas, shelf life e viabilidade logística das exportações brasileiras.
Outro ponto considerado crítico pelas entidades é a dependência das importações. Segundo a ABPA, cerca de 50% das resinas importadas pelo Brasil no último ano tiveram origem justamente nos Estados Unidos e Canadá, países atingidos pelas medidas antidumping.
Ao mesmo tempo, fornecedores alternativos localizados no Oriente Médio, Ásia e Egito enfrentam restrições de oferta em função da instabilidade geopolítica internacional.

O setor também destaca que os Estados Unidos estão entre as poucas origens globais com disponibilidade de resinas base metaloceno e octenos, consideradas fundamentais para embalagens destinadas à cadeia de frio e produtos submetidos a baixas temperaturas.
Entidades defendem medidas emergenciais
No posicionamento divulgado à imprensa, a ABPA e as entidades estaduais alertam para os riscos de inflação de alimentos, perda de competitividade das exportações brasileiras e possível desabastecimento de insumos estratégicos para a cadeia produtiva.
Diante do cenário, as entidades defendem a adoção de medidas emergenciais para reduzir os impactos sobre a indústria, incluindo a avaliação de mecanismos temporários de suspensão ou redução das alíquotas incidentes sobre a importação de insumos estratégicos para embalagens.
Segundo o setor, a medida ajudaria a preservar o abastecimento, a competitividade da cadeia produtiva e o equilíbrio dos preços dos alimentos ao consumidor








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