Diesel terá aumento de 11,1porcento no ICMS e pode elevar custos do agronegócio no Tocantins

Mudança prevista para fevereiro de 2027 pode afetar despesas com máquinas agrícolas, transporte de grãos e fretes rodoviários

Diesel terá aumento de 11,1porcento no ICMS e pode elevar custos do agronegócio no Tocantins
ilustrativa

Motoristas, produtores rurais e transportadores do Tocantins devem se preparar para o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis a partir de 1º de fevereiro de 2027. A mudança, aprovada pelos estados no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), elevará em 11,1% o imposto cobrado sobre o diesel, combustível utilizado no transporte de cargas e em diversas atividades do agronegócio.

Com a alteração, o ICMS do diesel passará de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, um acréscimo de R$ 0,13. Embora o reajuste seja aplicado nacionalmente, os efeitos podem chegar ao bolso dos consumidores tocantinenses por meio do aumento dos custos de transporte e distribuição de mercadorias.

Para o presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Estado do Tocantins (Sindiposto-Tocantins), Wilber Silvano, a elevação do imposto pode atingir diferentes setores da economia, principalmente aqueles que dependem do transporte rodoviário.

“Diesel é frete. É o principal insumo de transporte do país. Então a pressão chega no preço de tudo que anda de caminhão até a prateleira”, afirma.

No agronegócio, o diesel está presente em diferentes etapas da produção, desde a operação de máquinas agrícolas até o transporte de grãos, insumos e animais. O aumento da tributação pode elevar os custos dessas atividades, dependendo de como a mudança será incorporada aos preços dos combustíveis.

Gasolina e gás de cozinha também terão aumento

O reajuste não ficará restrito ao diesel. A gasolina terá elevação de aproximadamente 4,5% no ICMS, que passará de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro, uma diferença de R$ 0,07.

Já o gás liquefeito de petróleo (GLP), utilizado nos botijões de cozinha, terá o imposto reajustado de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo. Para um botijão de 13 quilos, o acréscimo será de R$ 0,91 em tributos.

É importante observar que os percentuais representam o aumento do imposto, e não necessariamente o reajuste final dos combustíveis nos estabelecimentos. Isso significa que a alta de 11,1% no ICMS do diesel não corresponde automaticamente a um aumento de 11,1% no preço do litro vendido nos postos.

Segundo Wilber Silvano, a mudança tributária chega aos postos como parte do custo de aquisição dos combustíveis.

“O posto não decide esse preço, ele repassa”, explica.

O presidente do Sindiposto-Tocantins também orienta os revendedores a considerarem os novos valores no planejamento financeiro dos estabelecimentos. “Quem opera posto precisa se preparar desde já.”

Estados estudam alternativas para reduzir reajuste do diesel

Os novos valores foram estabelecidos pelos convênios ICMS 127/2026 e 128/2026, aprovados no âmbito do Confaz, e têm aplicação prevista para fevereiro de 2027.

Entretanto, o reajuste do diesel ainda pode passar por alterações. Em comunicado divulgado no dia 3 de novembro, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) informou que os estados estudam alternativas para reduzir o aumento previsto para o combustível.

Até a divulgação do comunicado, nenhuma decisão havia sido anunciada sobre uma possível revisão dos valores.

Caso não haja mudanças, as novas alíquotas entrarão em vigor em 1º de fevereiro de 2027, com possíveis reflexos nos custos de transporte, na produção agropecuária e nos preços de mercadorias comercializadas no Tocantins.