Carne bovina: Austrália já projeta concorrência do Brasil no Japão e Coreia do Sul
Possível abertura dos dois mercados à proteína brasileira preocupa exportadores australianos, hoje dominantes nesses destinos
Em todas as regiões, a presença da crescente da carne bovina brasileira é cada vez mais sentida, após o país ter sido reconhecido, em junho/25, como livre da febre aftosa sem vacinação em todo o território nacional.
Segundo destaca o portal australiano Beef Central (www.beefcentral.com), “o Brasil tem sido um importante fornecedor de carne bovina tanto para os EUA quanto para a China, mas, assim como a Austrália, também enfrenta restrições ao acesso à China este ano devido a medidas de salvaguarda”.
Isso significa, diz a Beef Central, “que o Brasil agora precisará encontrar mercados alternativos para cerca de 400 mil toneladas de carne bovina que, de outra forma, seriam destinadas à China”.
“O volume adicional em busca de novos destinos aumentará a concorrência nas exportações em todos os mercados globais, sem ainda haver indícios claros de onde ele será direcionado”, observou o portal, com base em entrevista realizada com os gerentes de mercado regionais da Meat & Livestock Australia (MLA), Murray Davis (China), Paul da Silva (América do Norte) e Travis Brown (Japão/Coreia).
Segundo percepção dos analistas australianos, o acesso do Brasil aos mercados do Japão e da Coreia do Sul é “iminente”, dois dos mercados de exportação de carne bovina mais “importantes e de maior valor para a Austrália”.
O gerente regional da MLA, Travis Brown, lembra que houve discussões recentes entre governos, com equipes de autoridades japonesas inspecionando frigoríficos brasileiros.
“A impressão e o sentimento no mercado são de que o Brasil provavelmente terá acesso ao mercado”, disse Brown, acrescentando: “A grande questão no momento é como isso se dará e quando poderá ocorrer.”
Vantagens australianas
Embora a carne bovina australiana inevitavelmente enfrente uma nova e maior concorrência da América do Sul em mercados-chave, os gestores da MLA expressaram confiança de que a Austrália continua bem-posicionada para competir, relata a reportagem da Beef Central.
“A Austrália beneficia de acordos tarifários preferenciais com o Japão, o que significa que a carne bovina brasileira enfrentaria uma tarifa mais alta caso o acesso fosse concedido”, analisou o gerente regional da MLA
Brown também destacou a força das relações de longa data que a indústria de carne bovina australiana construiu no Japão ao longo dos últimos 55 anos.

“Isso significa que agora temos várias gerações de famílias e consumidores japoneses que foram criados comendo carne bovina australiana”, disse ele.
Segundo Brown, a carne bovina australiana conquistou “uma posição muito forte no mercado do Japão, sendo reconhecida por sua qualidade, além de sistemas de produção seguros e protegidos”
“Esses são valores que os consumidores japoneses atribuem muito à sua alimentação.”
O gerente regional para a América do Norte, Paul Da Silva, concordou que a carne bovina australiana está bem-posicionada para competir com a carne brasileira.
“O produto australiano é muito forte e podemos competir em todos os segmentos do mercado”, ressaltou.
Responsável por 50% do mercado de importação japonês
A carne bovina australiana detém agora mais de 50% do mercado de carne bovina importada pelo Japão e, recentemente, ultrapassou os EUA na Coreia do Sul.








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